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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Partes que compõem a dissertação.


  • Introdução - deve ser breve e anunciar ao leitor o que será desenvolvido no texto, acompanhado da opinião.
  • Desenvolvimento - é o corpo do texto; aqui serão utilizadas as ideias propostas na introdução, defendendo o ponto-de-vista através de argumentos.
  • Conclusão - serve para finalizar o que foi exposto; deve ser breve e não pode conter nenhuma idéia nova e nenhum exemplo; trata-se de um resumo da dissertação como um todo. Ela pode ser feita de duas maneiras:
    • Síntese - resumo do que foi dito durante o texto.
    • Sugestão - proposta para que o problema discutido seja solucionado.

Exemplos de dissertação


Através de dois textos distintos, a dissertação pode ser exemplificada:
  • "A fim de aprender a finalidade e o sentido da vida, é preciso amar a vida por ela mesma, inteiramente; mergulhar, por assim dizer, no redemoinho da vida. Somente então apreender-se-á o sentido da vida, compreender-se-á para que se vive. A vida é algo que, ao contrário de tudo criado pelo homem, não necessita de teoria, quem aprende a prática da vida também assimila sua teoria".
Wilhelm Reich. A Revolução Sexual. Rio de Janeiro, Zahar, 1974.
O texto expõe um ponto-de-vista (finalidade da vida é viver) sobre um assunto-tema (no caso, o sentido e a finalidade da vida). Além de apresentar um ponto-de-vista do autor, o texto faz também a defesa deste ponto-de-vista: onde ele defende os motivos que fundamentam a opinião de que a prática intensa de viver é que revela o sentido da vida.
  • "Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. (...) Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. Não estou me referindo a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada... Lembrando-me agora com saudade da dor de escrever livros."
Clarice Lispector. A Descoberta do Mundo

A dissertação pode ou não ser feita em final de curso de [pós-graduação], stricto sensu (mestrado), com a finalidade de treinar os estudantes no domínio da temática abordada e como forma de iniciação a pesquisa mais ampla. Nesse caso, é produção de aproximadamente 100 páginas (conforme as regras de cada Universidade). É o trabalho final dos cursos de mestrado, elaborado depois de cursados os respectivos créditos e feita a pesquisa correspondente; é desenvolvida sob assistência de um orientador académico. É defendida publicamente perante um júri composto por três ou mais doutores (ou por especialistas no tema em causa).
Na monografia (dissertação) para a obtenção do grau de mestre, além da revisão da literatura, é preciso dominar o conhecimento do método de pesquisa e informar a metodologia utilizada na pesquisa.
Dissertação científica, ou simplesmente exercitação, é o trabalho feito nos moldes da tese, com a peculiaridade de ser ainda uma tese inicial ou em miniatura.
A dissertação tem ainda finalidade didáctica, uma vez que constitui o grande treino para a tese de doutoramento propriamente dita.
Chama-se Memória a dissertação sobre assunto [Ciência|científico], [Literatura|literário] ou [Arte /artístico], destinada a ser apresentada ao [governo], a uma [corporação] ou [academia].
Numa dissertação o autor não é suposto colocar a sua opinião.
Na dissertação expositiva, o autor apresenta uma ideia, uma doutrina e expõe o que ele ou outros pensam sobre o tema ou assunto. Geralmente faz a amplificação da ideia central, demonstrando sua natureza, antecedentes, causas próximas ou remotas, consequências ou exemplos.
Na dissertação argumentativa, o autor quer provar a [Verdade|veracidade] ou [Mentira|falsidade] de ideias; pretende convencer o leitor ou ouvinte, dirige-se à sua [inteligência] através de argumentos, de provas evidentes, de testemunhas.
Se a dissertação é objectiva, o tratamento dado ao texto é impessoal, com argumentação lógica partindo de elementos gerais e indo para os particulares. Na dissertação subjectiva, o autor dirige-se não só à [inteligência], mas também, de modo pessoal, ao(s) [sentimento(s)] de quem ele pretende convencer. Além da [emoção], às vezes há [ironia], [sarcasmo], ridículo.
São partes importantes da dissertação a introdução, o [desenvolvimento] e a [conclusão].

Dissertação.

Dissertação é um trabalho baseado em estudo teórico de natureza reflexiva, que consiste na ordenação de ideias sobre um determinado tema. A característica básica da dissertação é o cunho reflexivo-teórico. Dissertar é debater, discutir, questionar, expressar ponto de vista, qualquer que seja. É desenvolver um raciocínio, desenvolver argumentos que fundamentem posições. É polemizar, inclusive, com opiniões e com argumentos contrários aos nossos. É estabelecer relações de causa e consequência, é dar exemplos, é tirar conclusões, é apresentar um texto com organização lógicadas idéias. Basicamente um texto em que o autor mostra as suas ideias.

A palavra é mais que o seu significado.

o significado não é o único elemento importante de uma palavra. Seu ritmo, sua sonoridade, por si sós, são suficientes para despertar reações nas pessoas. Tanto é que, às vezes, mesmo sem conhecermos o significado de uma palavra, reagimos diante dela das mais variadas maneiras: gostando, achando-a bonita, feia, esquisita, antipática e assim por diante.  Ou seja, as palavras, mesmo quando sem significado para nós, podem despertar emoções.
Acontece até atribuirmos a elas significados diferentes dos que realmente possuem.
Isso, com toda a certeza, não é novidade para ninguém.
No entanto, geralmente deixamos de lado os outros aspectos da palavra, só nos importando com o seu significado. Agora, vamos adotar um procedimento mais amplo, tentando sentir também esses outros elementos das palavras.
Leia as palavras seguintes, sem se preocupar com seus significados. Apenas sinta seu aspecto gráfico, sua sonoridade. Que idéias vêm à sua cabeça? Escreva livremente em seu caderno.
1- Falácia
2- Plúmbeo
3- Hermeneuta
4-Defenestração
5- Traquinagem

Defenestração - Luís Fernando Veríssimo

Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra. Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.
- Os hermeneutas estão chegando!
- Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
- Alo...
- O que é que você quer dizer com isso?
Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
- Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
Plúmbeo devia ser um barulho que o corpo faz ao cair na água. Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração. A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
- Defenestras?
A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam. Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais. Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:
- Aquele é um defenestrado.
Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata. Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião (dicionário do Aurélio Buarque) que não me deixa mentir. ¿ Defenestração¿ vem do francês ¿defenestration¿. Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela. Ato de atirar alguém ou algo pela janela! Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração? (...) Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada. Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 17º andar.
-Querida...
-Mmmm?
- Há uma coisa que preciso lhe dizer...
-Fala, Amor
-Sou um defenestrador.
E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama: Estou pronta para experimentar tudo com você! TUDO! Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e babulcia:
- fui defenestrado...
Alguém comenta:
- Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela?
Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.

Crônica - Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Formação da literatura Brasileira.

este livro procura estuda a formação da literatura brasileira como síntese de tendências universalistas e particularistas.
Dar realce aos períodos.
a palavra formação convém qualificar de momentos decisivos estudados de manifestações literárias
permitem-nos conhecermos as formas dominantes duma fase.
Características internas ( língua, temas, imagens ), certos elementos de natureza social e psiquíca, embora literalmente organizados, que se manifestam historicamente e fazem da literatura aspecto orgânico da civilização.

Antônio Cândido: Formação da Literatura Brasileira.

Até que ponto a nossa literatura, nos momentos estudados, constitui um universo capaz de justificar o interêsse do leitor, __ não devendo o crítico subestimá-la nem superestimá-la.
No primeiro caso, apagaria o efeito que deseja ter, e é justamente despertar leitores para os textos analisados; no segundo daria a impressão errada que ela é, no todo ou em parte, capaz de suprir as necessidades de um leitor culto.
Há literaturas  de que um homem não precisa sair para receber cultura e enriquecer a sensibilidade; outras que só podem ocupar uma parte da sua vida de leitor, sob pena de lhe restringirem irremediàvelmente o horizonte. Assim, podemos imaginar um francês, um italiano, um inglês, um alemão, mesmo um russo e um espanhol, que só conheçam autores da sua terra e, não obstante, encontrem nêles o suficiente o suficiente para elaborar a visão das coisas, experimentando as mais altas emoções literárias.
A nossa literatura é galho secundário da portuguêsa, por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das musas... Os que se nutrem apenas delas são reconhecíveis à primeira vista, mesmo quando eruditos e inteligentes, pelo gôsto provinciano e falta de senso de proporções.
comparada a outras literaturas, nossa literatura é pobre e fraca.
Mais se não amarmos nossas literaturas ninguém amará por nós.