Pesquisar este blog

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Resumo do filme: “O Pequeno Príncipe”.
Sobre o autor
Sonhava em ser pintor, mas desistiu desse sonho, e quis aprender a voar, por isso no início do filme mostra o desenho que o autor pedia as pessoas para decifrarem o significado.
Quando o Pequeno Príncipe pede para fazer o desenho do carneiro, e ele não gosta de nenhum, sendo que no final ele vai gostar da caixa, porque a criança é capaz de imaginar inúmeras coisas, a caixa é uma surpresa, dentro dela existe luz, essa luz é a esperança que existe dentro de nós. Porque somos capazes de sonhar. A importância dos sete planetas, onde há neles todos os pecados e no Pequeno Príncipe todas as virtudes. O carneiro simboliza a força que desperta o homem e o mundo, cordeiro de Deus oferece morte para a salvação dos pecadores. O mundo fantástico dentro da criança, a capacidade de imaginar. O Baobá era uma planta perigosa que destruía tudo, sendo que no início do filme ele tinha medo do Baobá destruir a flor dele, por isso era preciso protegê-la. O Baobá significa sentimentos ruins, com os tombos da vida. 
É através do carneiro que o autor vai perceber que envelheceu sem conhecer as coisas boas da vida, os sonhos que ele tinha de tornar-se pintor.
Baobás são árvores grandes, ervas boas e más, são seres humanos com virtudes e defeitos, o Pequeno Príncipe observou que há pessoas, que se acham grandes por ter poder, dinheiro, trapacear, pisar em alguém para conseguir o que quer.
Quando ele diz: Esperar que o sol se ponha, segundo o dicionário de símbolos, significa conhecimento do mundo.
Quanto a rosa que ele tanto ama, que nasceu em seu planeta e que todos os dias ele regava ela e fazia mimos a rosa, atendendo seus gostos, a qual chega uma hora que ele resolve partir e tentar descobrir o mundo, para voltar e perceber que uma amizade é cativada com amor e carinho, e leva tempo para cultivar, para amar. Os espinhos da rosa, são os espinhos da vida, o qual temos que tirá-los um a um, cada um com seus problemas e espinhos a serem enfrentados. As flores são ingênuas e fracas e defendem-se como podem com seus espinhos. Essa rosa era muito cheia de gostos e mimos, pede tudo ao Pequeno Príncipe. Mas no final ele irá perceber que deixou algo valioso para trás e irá voltar e ver a importância de uma amizade verdadeira, que é a que ele tinha com a rosa.
Quando ele fala de constelação das estrelas, está se referindo ao amor que ele tem pela sua rosa.
Por isso ele diz: Que se o carneiro comé-la, não terá importância porque dela ele retirou as melhores coisas da vida, os frutos bons da vida, a importância de ter cativado um amigo.
Se plantamos coisas boas, colhemos coisas boas. Os espinhos são as dificuldades da vida, as pétalas as etapas da vida.
O medo da flor de ficar sozinha, é a dificuldade do ser humano, o medo de lutar por seus sonhos e suas conquistas. Quando ele pede ao rei para partir, usa uma técnica infantil, a criança quando quer alguma coisa fala com tom sensível ao pai.
A virtude do Pequeno Príncipe.. A humildade. 
Segundo Planeta
Todo vaidoso só tem o olhar para si próprio.
O vaidoso só usou o chapéu para fazer uma brincadeira. Mas ele não ouviu o Pequeno Príncipe, os vaidosos só enchergam o lado físico e externo, interiormente não tem nada, se acha perfeito em tudo.

Perda de valor humano, é como a história de Narciso, um homem muito bonito que olhou a sua imagem horas na água, adorando-a e nela se perdeu.
O Bêbado, está escondido na gula, um dos pecados capitais, muitas vezes afundamos na bebida, usando a desculpa dos nossos anseios e fracassos, e medos.
Em outro planeta estava, o homem de negócios.
O negociante representa a avareza, um dos pecados capitais, um homem que trabalha apenas por dinheiro, esquece de viver a vida, não consegue apreciar o brilho do dia, ser rico e ter muito dinheiro, é mais vantagem do que ser feliz.
O Pequeno Príncipe diz: Tenho 3 vulcões e possuo uma flor que rego todos os dias, Ele aprecia coisas belas, O dinheiro do negociante jamais serve para apreciar esses valores. O comerciante não possui nenhuma estrela como ele diz, porque a estrela maior existe dentro de nós, que é o amor, e a riqueza mais bonita é a virtude.
Sem amor não há virtude.
Quinto planeta. Pecado (preguiça).
O Príncipe está ali há muito tempo e não consegue perceber que já estava há um mês, lá ele vê que o preguiçoso não constrói nada, não se progride.
O sexto planeta.
O velho geógrafo, que escrevia livros enormes, através de relatos de outras pessoas, que passaram por ali, e esquecia de viver, sonhar e viajar pelo mundo e adquirir experiências de vida, do que é uma realidade social, é mais fácil escrever uma história de amor do que vivê-la.
Sétimo planeta.
Lá estão os últimos pecados, a ira e a cobiça, a serpente era muito misteriosa, e a raposa desejava que o pequeno príncipe ficasse com ela e esquecesse a rosa.
Cobiçou o amor dele que ele tinha pela rosa, que era o de cativar.
E no final ele aprende que ao visitar tantos planetas, que haviam pessoas que diziam ser grandes, não passavam de pessoas pequenas, com pobre sentimentos, e que ele era bem evoluído em relação as pessoas que diziam serem grandes. 
Não é fácil e conquistar um amigo, é preciso cativá-lo aos poucos, o tempo é o marcador importante nesta conquista, um amigo verdadeiro é para sempre e não por algumas horas, a paciência como diz a raposa é o primeiro passo.
“Tu te tornas responsável pelos seus atos, caráter e objetivos. 
É hora de refletir sobre as novas tecnologias que estão de lado, o diálogo pessoal e passando para o virtual, as crianças já não brincam nos jardins, e sim na internet, já não se tem o contato com a natureza, o diálogo entre casais está cada vez mais distante, e amores virtuais que não se concretizam mais, apenas enganação, apesar de ter pequenas exceções, as crianças estão desenvolvendo muito rápido aos perigos da vida, a falta de amor em casa e tempo para conversar com os filhos, o mundo das drogas que é oferecido facilmente, é preciso saber manipular e ter atitudes condizentes, que levem as crianças de hoje a se conscientizarem sobre valores morais e éticos, valores que podemos resgatar e usar em nossas vidas, em busca de caminho melhores, o respeito, honestidade, a obediência, o amor ao próximo, a importância de cativar um amigo de verdade...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Por que o acento em certas palavras?

Por que o acento em certas palavras?
      Como já vimos, com pouquíssimas exceções, todas as palavras têm uma sílaba tônica. Mas não é verdade que toda sílaba tônica deva ser graficamente acentuada. O acento é uma exceção. Ele assinala o que, por assim dizer, foge à normalidade. Trata-se de uma questão estatística. Vamos entender.
      As palavras terminadas em a, e e o, seguidos ou não de s, são a maioria paroxítonas. Basta  lembrar algumas delas:
Abelha, borboleta, caçarola, carcaça, cebola, cultura, dama, enchova, força, grama, idiota, janela, jarra, lagarta, novela, pata, patroa, peruca, pomba, quota, trombeta, tulipa, violeta, bigode, bosque, bule, catorze, dentes, disparate, flexibilidade, gaze, hecatombe, neve, tapete, tigre, xale, confuso, cortejo, corvo, cotovelo, ouriço, ovo, pepino, perplexo, pescoço, polido, quero, rosto, perplexo, suspiro, uivos, quero, rosto.
      Isso significa que as palavras terminadas em a, e o, seguidos ou não de s, que são oxítonas constituem a minoria. Então se marca a tônica dessa minoria com acento, como em sofá, cafés, robôs.
      Como as palavras proparoxítonas são a minoria na língua, todas são acentuadas, como xícara, príncipe, múltiplo.
      Portanto a regra de acentuação servem para caracterizar os casos em que certas palavras, são minoria dentro de um conjunto, devem ser acentuadas.

Ditongo

Ditongo

Em cada sílaba só pode haver uma vogal. Quando aparecem duas vogais na mesma sílaba, na realidade não são duas vogais, mas uma vogal e semivogal. Dá se o nome de semivogal aos sons "i" e "u" que aparecem ao lado de uma vogal na mesma sílaba. O encontro de uma vogal com uma semivogal chama-se ditongo. Veja os ditongos assinalados nas seguintes palavras: pei-xe, cha- péu, an-dei, ou-sar, re-si-duo, po-trão, -goa.
Como se observa, a semivogal /i/ pode ser representada pela letra "i" (papai) ou pela letra "e" (mamãe);a semivogal /u/ pode ser representada pela letra "u"(chapéu, ousar) ou pela letra "o" 
 O ditongo é decrescente quando primeiro vem a vogal e depois a semivogal (peixe, chapéu, andei, lençóis, cadeira, papai, mamãe, ousar, porão.

O ditongo crescente quando primeiro vem a semivogal e depois a vogal; como em mágoa, história, série,  resíduo.
O acordo chama de "proparoxítonas aparentes" essas palavras paroxítonas que terminam em ditongo crescente.


Acentuação gráfica

Sílaba

É um som ou grupo de sons que emitimos num só impulso de voz (numa única expiração).
De acordo com o número de sílabas, as palavras podem ser:
a) Monossílabos (uma sílaba): chá, fé, só, vez, véu, eu, mim;
b) Dissílabos (duas sílabas): sa-po, ca-sa, cra-chá, ven-da, gen-te, va-mos;
c) Trissílabos (três sílabas): ga-ve-ta, va-ran-da, pân-ta-no;
d) polissílabos (mais de três sílabas): pe-re-gri-no, ma-te-má-ti-ca, can-di-da-to.

Sílaba Tônica


É a sílaba que na palavra é pronunciada com maior intensidade e mais demora que as outras.
Com exceção de uns poucos vocábulos, todas as palavras têm uma sílaba tônica: so-, ja-ca-, ta-tu, me-sa,  cer-te-za, im--rio;

As que são grafadas em negrito são tônicas, já as demais são átonas.

Classificação quanto à sílaba tônica


De acordo com a posição da sílaba tônica, as palavras se dividem em:
a) oxítonas ( a tônica é a última sílaba): crachá, ponta, cipó;
b) paroxítonas ( a tônica é a penúltima sílaba): mesa, me penúltima, certeza, te penúltima, imrio, pé penúltima;
c) proparoxítonas ( a tônica é a antepenúltima sílaba): último, antepenúltima úl, próximo, pró, ilógico, ló.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A poética do devaneio..(Gaston Bachelard)..

 Filósofo e ensaísta francês, nasceu em Bar-sur-Aube em 1884. Trabalhou nos correios em Remiremont e em Paris. Licenciou-se em Matemática em 1912. Em 1920, obteve uma segunda licenciatura, em Letras, tendo-se doutorado em 1927. Foi professor da Universidade de Dijone depois da Sorbonne, em Paris, onde permaneceu até 1954. No ano seguinte, entrou para a Academia das Ciências Morais e Políticas. Recentemente a Legião de Honra em 1951 e o Grande Prêmio Nacional das letras em 1961. Morreu em Paris em 1962. Entre seus livros estão A água e os sonhos, A terra e os devaneios da vontade e A terra e os devaneios do repouso, todos publicados por esta editora...
São paulo 2009 wmfmartinsfontes

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

CRÔNICAS


Fato corriqueiro...

Há na crônica uma série de eventos aparentemente banais, que ganham outra "dimensão" graças ao olhar subjetivo do autor. O leitor acompanha o acontecimento, como uma testemunha guiada pelo olhar do cronista que tem a pretensão de registrar de maneira pessoal o acontecimento. O autor dá a um fato corriqueiro uma perspectiva, que o transforma em fato singular e único.
No caso da crônica "Recado ao Senhor 903", há uma crítica à desumanização na cidade grande, na qual somos, muitas vezes, apenas números e não pessoas. O surpreendente é a inversão proposta pelo narrador ao final da crônica: no lugar da intolerância, tão comum nas cidades grandes, ele propõe um possível acolhimento amigo.
Outro aspecto é que as personagens das crônicas não têm descrição psicológica profunda, pois, são caracterizadas por uma ou duas características centrais, suficientes para compor traços genéricos, com os quais uma pessoa comum pode se identificar. Em geral, as personagens não têm nomes: é a moça, o menino, a velha, o senador, a mulher, a dona de casa. Ou têm nomes comuns: dona Nena, seu Chiquinho, etc... 

Análise da linguagem


1) Intenção e linguagem
O narrador-personagem da crônica (ou remetente da carta ao vizinho) reconhece que faz barulho e por isto pede desculpas. Veja, assim, as palavras e afirmações que usou para construir essa ideia: "consternado", "desolado", "lhe dou inteira razão", "O regulamento do prédio é explícito", "Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso", "Peço desculpas", "Prometo silêncio". 
No entanto, através de ironias, o narrador reconhece sua falta, mas explicita que não concorda com a situação, uma vez que a aborda também de outro ângulo, problematizando as relações entre as pessoas e não simplesmente aceitando a situação como algo imutável. E faz isso, especialmente, quando:
  • ironiza a estruturas dos prédios em que as pessoas ficam empilhadas, perdendo o contato humano; 
  • refere-se a todos os vizinhos, incluindo ele próprio, pelo número do apartamento e não pelo nome; 
  • critica o isolamento e a distância entre as pessoas cujas vidas estão limitadas pelas normas que cerceiam o convívio humano; 
  • sonha com outra relação mais humana e fraterna, entre as pessoas.
    2) Ironia e humor
    a) Veja como o narrador usa uma fina ironia quando fala de si mesmo e dos motivos das reclamações do vizinho: 
    "Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua." Verifique ainda como o uso do elemento "apenas", usado duas vezes intensifica a sua exclusão em relação aos demais moradores do prédio. 
    b) O excesso de referência a números acaba por criar um efeito de humor e crítica social: 
    "Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h 45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h 15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará ate o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305." 
    Enfim, o efeito de humor tem a ver com: 
  • o contraste entre uma situação e outra: os que mantêm silêncio e pessoas, como o narrador, que não o fazem; 
  • o inesperado: o texto parece se encaminhar para um sentido e bruscamente aponta para outro.
    3)Uso de verbo
    Quando o narrador quer sonhar com uma outra situação em relação, não só à sua vizinhança, mas também à vida na cidade grande, veja que ele constrói essa ideia usando verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo, o que indica possibilidade/desejo/hipótese: 
    "Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: 'Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou'. E o outro respondesse: 'Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela'. 
    E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz. 
    4)Uso dos artigos
    Releia os trechos: 
    a) "Quem fala aqui é o homem do 1003.". 
    Foi usado o artigo definido ( o ), quando o narrador refere-se a si mesmo, particularizando, dessa forma, um indivíduo, entre outros. 
    b) "Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em queum homem batesse à porta do outro e dissesse (...). E o outro respondesse (...)"
    Há artigo indefinido ("um homem"), quando foi introduzido um elemento ainda não citado no texto, generalizando-o. Há artigo definido ("o outro"), quando novamente se tem um indivíduo já citado, particularizando-o. 
    Veja que essas escolhas linguísticas vão constituindo a ligação/coesão entre as partes do texto, de tal maneira que, mais do que saber o nome das classes da gramática - substantivos, adjetivos, artigos, advérbios, verbo, conjunção, pronome, preposição, numeral - é importante saber suas articulações na construção dos sentidos de um texto. 

    Características das crônicas

    A crônica é um texto narrativo que: 
  • É, em geral, curto; 
  • Trata de problemas do cotidiano; assuntos comuns, do dia a dia; 
  • Traz as pessoas comuns como personagens, sem nome ou com nomes genéricos. As personagens não têm aprofundamento psicológico; são apresentadas em traços rápidos; 
  • É organizado em torno de um único núcleo, um único problema; 
  • Tem como objetivo envolver, emocionar o leitor.

  • Fato corriqueiro...

    Há na crônica uma série de eventos aparentemente banais, que ganham outra "dimensão" graças ao olhar subjetivo do autor. O leitor acompanha o acontecimento, como uma testemunha guiada pelo olhar do cronista que tem a pretensão de registrar de maneira pessoal o acontecimento. O autor dá a um fato corriqueiro uma perspectiva, que o transforma em fato singular e único.
    No caso da crônica "Recado ao Senhor 903", há uma crítica à desumanização na cidade grande, na qual somos, muitas vezes, apenas números e não pessoas. O surpreendente é a inversão proposta pelo narrador ao final da crônica: no lugar da intolerância, tão comum nas cidades grandes, ele propõe um possível acolhimento amigo.
    Outro aspecto é que as personagens das crônicas não têm descrição psicológica profunda, pois, são caracterizadas por uma ou duas características centrais, suficientes para compor traços genéricos, com os quais uma pessoa comum pode se identificar. Em geral, as personagens não têm nomes: é a moça, o menino, a velha, o senador, a mulher, a dona de casa. Ou têm nomes comuns: dona Nena, seu Chiquinho, etc... 

    Análise da linguagem


    1) Intenção e linguagem
    O narrador-personagem da crônica (ou remetente da carta ao vizinho) reconhece que faz barulho e por isto pede desculpas. Veja, assim, as palavras e afirmações que usou para construir essa ideia: "consternado", "desolado", "lhe dou inteira razão", "O regulamento do prédio é explícito", "Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso", "Peço desculpas", "Prometo silêncio". 
    No entanto, através de ironias, o narrador reconhece sua falta, mas explicita que não concorda com a situação, uma vez que a aborda também de outro ângulo, problematizando as relações entre as pessoas e não simplesmente aceitando a situação como algo imutável. E faz isso, especialmente, quando:
  • ironiza a estruturas dos prédios em que as pessoas ficam empilhadas, perdendo o contato humano; 
  • refere-se a todos os vizinhos, incluindo ele próprio, pelo número do apartamento e não pelo nome; 
  • critica o isolamento e a distância entre as pessoas cujas vidas estão limitadas pelas normas que cerceiam o convívio humano; 
  • sonha com outra relação mais humana e fraterna, entre as pessoas.
    2) Ironia e humor
    a) Veja como o narrador usa uma fina ironia quando fala de si mesmo e dos motivos das reclamações do vizinho: 
    "Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua." Verifique ainda como o uso do elemento "apenas", usado duas vezes intensifica a sua exclusão em relação aos demais moradores do prédio. 
    b) O excesso de referência a números acaba por criar um efeito de humor e crítica social: 
    "Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h 45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h 15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará ate o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305." 
    Enfim, o efeito de humor tem a ver com: 
  • o contraste entre uma situação e outra: os que mantêm silêncio e pessoas, como o narrador, que não o fazem; 
  • o inesperado: o texto parece se encaminhar para um sentido e bruscamente aponta para outro.
    3)Uso de verbo
    Quando o narrador quer sonhar com uma outra situação em relação, não só à sua vizinhança, mas também à vida na cidade grande, veja que ele constrói essa ideia usando verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo, o que indica possibilidade/desejo/hipótese: 
    "Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: 'Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou'. E o outro respondesse: 'Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela'. 
    E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz. 
    4)Uso dos artigos
    Releia os trechos: 
    a) "Quem fala aqui é o homem do 1003.". 
    Foi usado o artigo definido ( o ), quando o narrador refere-se a si mesmo, particularizando, dessa forma, um indivíduo, entre outros. 
    b) "Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em queum homem batesse à porta do outro e dissesse (...). E o outro respondesse (...)"
    Há artigo indefinido ("um homem"), quando foi introduzido um elemento ainda não citado no texto, generalizando-o. Há artigo definido ("o outro"), quando novamente se tem um indivíduo já citado, particularizando-o. 
    Veja que essas escolhas linguísticas vão constituindo a ligação/coesão entre as partes do texto, de tal maneira que, mais do que saber o nome das classes da gramática - substantivos, adjetivos, artigos, advérbios, verbo, conjunção, pronome, preposição, numeral - é importante saber suas articulações na construção dos sentidos de um texto. 

    Características das crônicas

    A crônica é um texto narrativo que: 
  • É, em geral, curto; 
  • Trata de problemas do cotidiano; assuntos comuns, do dia a dia; 
  • Traz as pessoas comuns como personagens, sem nome ou com nomes genéricos. As personagens não têm aprofundamento psicológico; são apresentadas em traços rápidos; 
  • É organizado em torno de um único núcleo, um único problema; 
  • Tem como objetivo envolver, emocionar o leitor.